30 agosto 2008

Mudou o paradigma. O sexo é chato


Allen Jones Table, 1969

Jemima Stehli Table, 1999


Li com atenção (mas sem qualquer emoção recreativa) o artigo de Isabel Coutinho no P2 do Público noticiando o colóquio da Culturgest sobre O Sexo na Cidade, As Novas Atracções ,Emoções, Afectos e Sex Toys. O comissário, Rui Trindade, explica que se trata de uma mudança de paradigma (Outra. Com tanta mudança de paradigma o paradigma anterior não chega a firmar-se). Nas palavras do comissário e de Feona Attwood, a sexualidade implantou-se no mainstream, instalou-se na cultura geral e oficial. Os convidados apresentarão a sua investigação sobre a história e decadência das sex shops francesas, a evolução da sexualidade feminina, as repercussões da mudança no casamento, as acompanhantes de luxo em Portugal e os seus clientes. Finalmente um investigador português irá falar sobre “ a questão da evolução da imagem da sexualidade feminina e do impacto que essa evolução da imagem teve na produção de brinquedos sexuais e tecnologias de género e de sexo” (sic).
Isabel Coutinho acaba garantindo que, durante dois dias, em Novembro, no Pequeno Auditório da Culturgest, o sexo estará em toda a parte. Se o colóquio estiver ao nível da apresentação o entusiasmo de Isabel Coutinho parece-me prematuro.O sexo parece ausente neste florido texto sobre o sexo. Sexo brocha como diria Rubem de Fonseca. O mainstream deserotizado a reflectir sobre a erotização do mainstream. Acho muito mais interessante saber onde se vendem os patinhos , como ser convidado para um Ann Summers Tupperware party, quais os planos de Jacqueline Gold para investir em Portugal, em que ginásio se emagrece com a dança do varão, a direcção da porteira que passa filmes na residência. Isso sim, seria serviço público à província. Já sobre o Escort, acompanhantes de luxo e clientes, estamos falados. Não percebemos o que tem isso a ver com o sexo brincadeira e a mudança do paradigma mas sabemos as dificuldades que envolvem a organização de um colóquio. Não é todos os dias que se consegue um palestrante chamado Anália. Eu nesses dias de Novembro, se precisar de sexo, vou a uma produção da Laurinda Alves. A Culturgest que se lixe. Que horror. Logo no Pequeno Auditório.

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