17 março 2008

John Gray e os ateus evangélicos

Este fim-de –semana no Guardian, John Gray, um dos meus pensadores fascinantes, investe contra Dawkins, Dennett e os filósofos ateus que têm animado a recente polémica sobre as religiões. Eu concordo com o anti humanismo de Gray e a denuncia que ele faz do antropomorfocentrismo, que continua a impregnar o pensamento contemporâneo. Também acho que ele sacrifica por vezes o rigor à tentação polemista. Mas o artigo, que já tinha sido aqui referenciado pelo António, é muito estimulante.
Primeiro porque John Gray cunha, para os novos ateus, o epíteto de ateus evangélicos, querendo dizer que eles provêm da cultura cristã e acreditam no poder salvífico e universal das suas ideias. Depois, porque acho que tem razão quando diz que não foi só a fé religiosa a grande responsável pelos massacres contemporâneos e que os ateístas esquecem a repressão secular levada a cabo por Mao, Hitler e Staline, Pol Pot e o regime da Coreia do Norte. Finalmente, quando escreve

There is a deal of fashionable talk of Islamo-fascism, and Islamist parties have some features in common with interwar fascist movements, including antisemitism. But Islamists owe as much, if not more, to the far left, and it would be more accurate to describe many of them as Islamo-Leninists.


De John Gray vai ser editado em paperback na Penguin, em Abril, Black Mass: Apocalyptic Religion and the Death of Utopia

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06 janeiro 2008

Alguns Livros de 2007 ( que não li): Ateísmo



Os livros recentemente traduzidos sobre Ateísmo mereceram justo relevo (resumos de José Manuel Fernandes no P2 e tema central do número de dezembro da revista Os Meus Livros). Sobre o tema a Cambridge University Press publicou, em 2007, na prestigiada colecção The Cambridge Companion, um livro editado por Michael Martin, da Universidade de Boston. Logo no prefácio aprendo que sou um ateu negativo em sentido lato. Não acredito em qualquer deus ou deuses e não apenas no deus teísta. Isto é para mim tão claro que não me passa pela cabeça refutar as razões para acreditar, nem, muito menos, procurar razões para não acreditar num deus ou deuses. Se o fizesse, poderia ser um ateu positivo em sentido lato. Em contrapartida sou um ateu positivo em sentido estrito no que diz respeito ao deus de Kaká, o bota de ouro, revelado a Estêvão e Sónia Hernandez.



The Cambridge Companion to Atheism
Series: Cambridge Companions to Philosophy
Edited by Michael Martin
Boston University

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