06 janeiro 2008

Alguns livros de 2007 (que não li): os livros da editora Averno



Uma das nossas melhores editoras é a Averno, de Manuel de Freitas. Telhados de Vidro reúne periodicamente os melhores originais da poesia portuguesa contemporânea. Recentemente a Averno editou os poemas de A.M. Pires Cabral, Manuel de Freitas, Vítor Nogueira e Rui Pires Cabral,debaixo do título Novas Memórias de Ansiães, e o que penso ser o livro de estreia, em poesia, de Alexandre Sarrazola, Thaumatrope(ver curta passagem pelo blog O cavalo de dom José) e a excelente tradução, já aqui referida, de Em Nenhum Paraíso de Diogo Lancel.
As edições Averno foram compostas e paginadas pelo Olímpio Ferreira (ver aqui e aqui).

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Alguns Livros de 2007 ( que não li): J.M.Coetzee




J.M. Coetzee. Depois de Disgrace, que copiei para este blog no seu primeiro ano de existência, Coetzee é o meu escritor preferido. Gosto da secura, do despojamento, da solidão, do perigo que se aproxima e se instala sem se conseguir nomear, da aproximação aos grandes escritores russos, nos temas e no estilo. Aprendi com ele a vertigem de Elisabeth Costello, e passei, nos momentos de lucidez em que me afasto da minha limitada visão especista, a ver a Terra como um grande matadouro, onde a espécie triunfante criou espaços concentracionários de aniquilação em massa destinados a espécies, inicialmente domesticadas e depois condenadas a um cativeiro inenarrável.
De Coetzee surgiu este ano a tradução de Vida e Tempos de Michael K., de 1983. Infelizmente não se traduziu Slow Man, de 2004, nem Diary of a Bad Year, de 2007, apesar dos temas deste último serem incontornáveis (o mundo depois de Bush, Tony Blair e a invasão do Iraque, para resumir mal).
Ficam assim por conhecer, além da mais recente produção ficcional, os dois excelentes tomos de memória ficcionada juvenil e do início da idade adulta- Boyhood: scenes of provincial life e Youth: scenes of provincial life II (traduzidos no Brasil)- bem como a extensa obra de crítica e ensaio (reunida em White Writing, Doubling the point, Stanger Shores e Inner Workings).

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03 julho 2007

Livros Urgentes



Respondendo ao desafio do Rui Bebiano (uma cadeia de livros arrisca-se a ser a cadeia da felicidade) aqui vão alguns dos livros que recomendo para esta semana:

1. Profanações, de Giorgio Agamben (Edições Cotovia 2006). Agamben esteve no centro de uma conferência em Serralves, na passada semana (descrita por João Paulo Sousa em Da Literatura) que foi um momento raro de inteligência. Para Agamben, o modelo de governo teocrático judaico-cristão formata todos os governos do Ocidente: um Rei que reina mas não governa, um Filho que se ocupa dos assuntos de Estado, e as hostes dos anjos nos ministérios, esses burocratas. Agamben ocupou-se do conceito de inoperatividade, um equivalente ao "desoeuvrement" de Blanchot. Depois do Juízo Final, Deus fica terrivelmente desocupado, e às almas do paraíso não resta outra saída senão a celebração da Glória. A Glória é a inoperatividade depois do Juízo Final. Em Profanações, Agamben escreve igualmente sobre o Dia da Cólera.

2. Intelligence, de Ian J. Deary, da colecção A Very Short Introduction, da Oxford University Press. Uma excelente colecção, a menos de dez euros o volume, que passa em revista questões actuais do conhecimento. Uma escrita viva, polémica, informada, didáctica sem deixar de ser rigorosa. Uma edição democrática, abarcando temas como a Consciência, a Fotografia, Ética, Teoria da Arte.

3. Segredos do Reino Animal, de Helder Moura Pereira, Assírio e Alvim, 2007. Helder Moura Pereira escreve:
(...) De que serviria gritar?
Pior do que não me ouvirem era ouvirem-me
só os deturpadores da minha língua.

4. Breviario Mediteráneo, de Predrag Matvejevic, na tradução castelhana da Anagrama. O romance ensaio mais célebre do jugoslavo, prefaciado por Claudio Magris, de quem igualmente recomendo Danúbio, publicado pela Dom Quixote em 1992.

5.The Oxford Handbook of Evolutionary Psychology, uma revisão exaustiva das últimas investogações nesta área. Editado por Robin Dunbar e Louise Barret com mais de 70 colaboradores e secções excitantes sobre Mating and life history, Cultural evolution ou The comparative approach.


Passo esta sugestão a Rosaarosa, à Susana Bês, ao Filipe Nunes Vicente, ao Luisinho e à Mónica, da Linha do Norte.

PS: Dando uma volta aos blogs percebo que a cadeia já vai longa e o Filipe já deu algumas sugestões, tão clássicas como se previa. O Luís Gouveia Monteiro também não é provável que rompa a tradição do belíssimo post mínimo a que nos habituou.
Agradeço a correcção ao Pedro e ao João Paulo Torres as questões pertinentes, e ter-me permitido conhecer o seu excelente blog. Como disse, o João Paulo de Sousa no blog Da Literatura, e depois o Luís Mourão, abordam alguns aspectos da conferência. Eu retive estes aspectos, talvez erradamente.

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