08 fevereiro 2008

Oh Gregório, aqui ninguém se cansa!


«Um trabalhador que esteja cansado física ou psicologicamente – porque está mais velho, porque tem problemas familiares, porque trabalhar naquela empresa não era exactamente o que pretendia ou porque se desinteressou do trabalho – deve poder ser despedido por justa causa.» Gregório Rocha Novo, Director da CIP.

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06 fevereiro 2008

Laboratório Manaia-Pereira


Gillian Wearing

Manaia-Pereira com tracinho faço orientação profissional testes de orientação lanço as cartas tarot leio sinas e faço unhas se for preciso faço unhas eu pago um dinheirão de renda neste andar pago tanto como as velhas da rua todas juntas e tenho vergonha de chegar a casa com dez euros tenho filhos cheios de necessidades faço tudo atelier de talentos mateginásio historioginásio ginásioginásio formação faço mudanças se alguém se mudar para esta rua eu ajudo nas mudanças e dou orientações nos restauros dos apartamentos afago os chãos lixo portas e rodapés dou palpites estudo acompanhado orientação vocacional assentamento de tacos e parquets laboratório de línguas laboratório de boletins de apostas dos paizinhos ao fim de tarde quando vierem buscar as criancinhas um homem tem de trabalhar tenho o andar iluminado um dinheirão de vóltios e de luxes a minha mulher só pergunta porque é que não vais à televisão parece que eles pagam bem ao teu colega de curso se lá fosses fazias melhor figura que ele e um cuidado enorme em não chegar à janela quando não se vê ninguém do exterior sempre se pode imaginar as salas cheias de infantes pequeninos cujas cabeças não chegam às janelas altas de facto não vem ninguém há anos que não vem ninguém Manaia-Pereira Psicologia Laboratórios outdoors cartões nas caixas de correio bandeiras nas varandas nunca veio ninguém

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20 janeiro 2008

Para que serve lutar



O Castor faz cem anos, como tem sido referido com abundância. O canal Arte exibiu recentemente um filme sobre a sua vida e Alexandra Lucas Coelho, num suplemento do Público (9 de janeiro) deu conta de alguns livros recentes, e de edições de revistas que lhe são dedicadas (entre elas a de janeiro do Magazine littéraire, onde Sylvie le Bon de Beauvoir apresenta os Cadernos de Juventude, anunciados para março na Gallimard). Dos materiais difundidos retive uma frase de "Idealismo moral e realismo político":

para que serve lutar se abolimos na luta todas as razões pelas quais tínhamos escolhido lutar?


Uma das vossas avós faz cem anos. Talvez o mais importante fosse lê-la. Ao menos a selecção de 144 páginas que a Folio fez do Segundo Sexo, com o título La femme indépendente. Lê-se num instante e a vossa avó merece. Merecemos todos e todas até a Teresa Sá e Melo (Público de 17.01.08, link não disponível para um artigo teórico onde a Teresa, talvez preocupada com a revoada de leitores que o centenário vai trazer para os textos do Castor, explica que o feminismo da Beauvoir não é o bom feminismo).

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