Morte na Palestina
Alexandra, visitaste a casa onde uma família chorava a morte do rapaz. Àquela mesma hora,numa cidade próxima, seis famílias choravam também os seus mortos. E mais de trinta pessoas estavam no Hospital. Amputações, queimaduras, surdez, fracturas, tu sabes. Essas pessoas nem souberam que morriam. Não se despediram das pessoas queridas. Algumas não acreditavam na vida eterna.
Agora estão todos igualmente mortos. Mas há uma diferença.Ele, o rapaz sobre quem escreveste, era o assassino. Os outros, os que nesta crónica não tiveram face nem nome, as vítimas.
E é terrível quando não vemos as vítimas.
(A propósito de uma crónica publicada no Público. Sem link porque o jornal do Fernandes não está on line)
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