28 novembro 2003

Desgraça

Não se ouvem nunca violinos na noite do horror. Um homem, à entrada da velhice, seduz (?) uma jovem de vinte anos. Vai pagar por isso. Aceita a sua culpa sem mesmo ler a nota. Porque haveria ela de dizer outra coisa que a verdade? Perde tudo. Quando voltar aos lugares que foram seus, os livros e os discos terão sido roubados (por um espaço onde só cabia um corpo de criança). E o seu cartão não abre já a porta da biblioteca. À queima roupa verá os cães a serem abatidos (eles mereciam-no, ensinados que foram a rosnar ao cheiro dos negros). Entorpecido pela dor saberá que a filha está a ser violada, sucessivamente, por três homens a quem abriu as portas da casa.
A sua terra, toda a terra, está inabitável.

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