06 dezembro 2003

Duarte Belo


A terra humilde dos montes quando a neve começa a retirar-se. Os fetos, os cardos, as raízes torturadas pelo frio. A face do granito reflectindo um céu de chumbo, a ameaça dos elementos. A fenda no monólito. Os líquenes como uma doença da pedra. Os ângulos agudos, agrestes. As sombras e a promessa de uma claridade que não vem. O chão poroso de uma praia abandonada. Os veios de quartzito. De novo os rostos minerais, o teu rosto, pai, como deve ser agora onde o pudesse longamente fitar.
O pano cru.
Num mundo sem gente uma espada trespassa o coração.

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