Três síndromes, quando nos perdemos.

Aquele que é possuído pelo síndrome de Walter Benjamim pensa que o mundo vai acabar, que aquela desgraça que se abateu naquele local é a nova ordem mundial. E que durará mil anos. Identifica a sua sorte pessoal com a da humanidade; precipita-se para o nevoeiro, mesmo sabendo que um precipício se pode abrir à sua frente.
O que tem o síndrome de Caspar David Friedrich, o pintor romântico da Alemanha do norte, detém-se ali, onde deixou de se ver, como se estivesse no último lugar aquém*. Impávido, de rosto a descoberto, olha os lugares ao longe, onde a bruma desenha torres e cumes. Não tomará nenhuma decisão. Aguardará que o tempo mude. Cúmplice dos musgos ele acredita pertencer a um poder sem nome nem forma. E espera.
Aquele que sofre do síndrome de Blanqui, o revolucionário voluntarista, traça um plano baseado na lógica simples de que há saída para todos os problemas, os homens são naturalmente bons e a organização a chave do êxito. Aponta o caminho ao grupo e rapidamente convence os indecisos.
Quando nos perdemos, quando as coisas correm mal, fico sozinho. Os meus companheiros escolhem os caminhos e as suas escolhas são sempre as mais correctas. Dão-me bússolas os que gostam de mim.



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