16 setembro 2004

Conta-me las cosas

Ontem aconteceram coisas maravilhosas. Presenciei algumas. Talvez não tenha estado à altura de todas elas. Talvez não consiga explicar às pessoas como as admiro, como gosto delas, como preciso delas mesmo quando pareço ter pressa em ficar sózinho. Mas de manhã e até adormecer, estive com algumas, e tive notícias de outras, pessoas excelentes. Como são todas conhecidas não posso falar delas. Falo então de Laura Restropa, escritora colombiana presente no Forum de Barcelona, autora do romance vencedor do último Prémio Alfaguara. Ela disse palavras incríveis num debate com Henning Mankell que El Pais reproduziu. "Las cosas no son como son, sino como se contaron". E o sueco contou histórias africanas, uma das quais acabava assim: "No es bueno morirse antes de haber terminado de contar la historia".
Enquanto isto ocorria, Delgado era nomeado patrão da LusoMundo e patrão do seu próprio patrão. Os plutocratas ocupam os lugares do poder meticulosamente e traçam a régua e esquadro os caminhos do futuro. Não me apetece falar disso. Não me apetece aquilo a que chamam o combate político, não me apetece a gravata, o argumento jurídico. A minha gente é esta gente simples com quem passei o dia: têm bossas nos braços, aleijões escondidos. Eu não consigo sempre ser gentil com eles. Eles traçam, com a sua vida que nem sempre é simples, uma linha de resistência, que pode ser derrotada, provavelmente será derrotada. Mas é aí que eu quero estar.

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