11 setembro 2004

Crime no Sul de frança (parte 2)

Desta vez estava no sul de França, em auto pullman e hotéis de quatro estrelas e havia uma mulher que me olhava com um sorriso divertido. Tinha um defeito horrível num braço que não lhe retirava o encanto. Um fim de tarde, estávamos num banho turco do hotel e ela chamou-me. Debrucei-me e troquei algumas palavras com ela tentando não olhar para o braço, mais pequeno e com uma angulação surpreendente abaixo do cotovelo. Quando estava muito perto dela, uma cara desagradável saiu da névoa. Era o marido, incomodado com a minha presença e não fazendo esforço nenhum para o esconder. Nos dias seguintes evitei o estranho par. Á distância reparei que lhe chamavam Rita e se tornara muito popular entre um grupo de rapazes esvoaçando com alarido entre ela e o marido. Havia também uma amiga, menos vistosa e com menos sucesso.
Foi no jantar em Arles que tudo se precipitou. Ela caminhava ao meu lado desde a saída do autocarro. Tinha um perfume agradável e era bonita. Arrastava consigo aqueles dois aleijões com um sorriso desafiante, como uma tatuagem de adolescência. Dizia frases de circunstância mas com uma entoação ligeiramente provocante. Ou era da noite. Ou do marido com passo incerto sempre à procura de uma proximidade que ela não lhe concedia. Eu pensava: Nem sempre foi assim na vida deste casal. Houve um dia em que se conheceram, talvez numa viagem como esta. Ela achou encanto ao seu ar secreto e riu-se quando ele falou. Procurou-o. Bebeu e dançou com ele. Trocaram palavras ternas ou não cruéis. Outro dia houve em que ele beijou a tumoração que lhe desfeia o antebraço.
(continua)

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