29 setembro 2004

Exegese Robespierre Paranoia

Nem era preciso assinar. Conheço-te a escrita. Já era assim na escola. A setoura de Literatura fazia uns quiz com textos do programa a quem tínhamos de encontrar um autor. Nessa altura eu acertava sempre. Era quase só intuição. Nada de estudo intensivo. Nem leituras a mais. Tu não gostas que eu leia. Nem és de muitas leituras, pois não? Tens livros, eu sei. E lês muito, para ensinar tanto, tens de ler. Mas nunca leste para aprender, e é pena. Agora é tarde de mais e não ia com a tua figura, não te esforces. A tua escrita, mesmo quando te tentas ocultar, e foi o caso, é a escrita do Robespierre. Até aí nada de especial. Não é isso que te identifica. Há muitos a escrever assim: a Razão com a guilhotina atrás. O que te distingue, mesmo quando te escondes no anonimato, é que tu não suportas o anonimato. Tu queres ser apreciado. Robespierre, mas com carreira no Partido vencedor e apreço no vencido, sobretudo se o Partido vencedor e o vencido se encontrarem no Estado. Porque para as encomendas do Estado lá estás tu. E assim o teu estilo Robespierre tem dois matizes distintivos: a vontade de se mostrar e a preocupação de não cortar os laços da contratação. Era fácil reconhecer-te no simpático comentário anónimo. Mandasses assinado e eu publicava-to. Falasses de política, porque tu vieste à política embora disfarçasses, e eu respondia-te. Agora assim, disfarçado de namorado da Loreta, nem penses. Este é um blog de princípios. Queres publicar? Publica no Diário da República.

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