19 setembro 2004

Padrecito Lobo Antunes

António Lobo Antunes escreve uma crónica aos sábados em Babelia. Em entrevistas recentes ele desqualificou de tal maneira esta escrita que deixei de a ler. Mas a capacidade de fingimento dos criadores é infinita, quase tão grande como a confusão dos seus sentimentos. A crónica desta semana é uma evocação comovida do pai, o senhor de olhos azuis que deixava cartazes em todo o lado: Isto não é um cinzeiro. A crónica termina com a frase do Nuno doente de peritonite, doença mortal na época, a pedir para ver o paizinho. O paizinho salvaria o Nuno e ainda havia de salvar o António e um dia, nesse lugar de extrema sabedoria que é o leito de morte, revelar aquilo que quis deveras ensinar aos filhos: a capacidade de apreciar a beleza.

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