26 setembro 2004

Paul Celan

Ontem ainda, em Babelia, uma crónica assinada por Francisco Jarauta assinalando a edição espanhola de Poemas Póstumos de Paul Celan (em 98 João Barrento traduziu para a Cotovia com o nome de A Morte é uma Flor, Poemas do Espólio, alguns dos mais de quinhentos poemas que a Trotta, Madrid, agora edita traduzidos por Jose Luis Reina Palazón).
Transcrevo:
Desde as primeiras linhas de Todesfuge aos cadernos póstumos passa um caminho marcado pela experiência da construção de uma linguagem, descentrada, com a sua sintaxe fracturada, como que exposta ao grito de quem em todas as circunstâncias liberta a poesia do seu silêncio para a situar no grito de quem deseja nomear- e de que maneira- o acontecimento que assinalou a sua origem. Essa era a "sua zona de combate", o lugar onde se citam o esquecimento e a memória, o verdadeiro rosto da catástrofe, esse rosto que se ilumina extraordinariamente nas palavras do Discurso de Darmstadt de 1960 ao receber o prémio George Buchner: "escrever nas cinzas da linguagem", que é como dizer, naquele lugar em que a linguagem transformada por uma violência nova estala com o seu resplendor, permitindo enunciar o que antes tinha sido proscrito.

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