23 setembro 2004

Talvez Florista

Há um homem por quem passo todas as manhãs. Na Rua Bernardo de Albuquerque ele caminha de frente para mim, antes disso não sei que sentido têm os seus passos. Depois do ponto em que nos cruzamos resisto sempre a olhar para trás, embora a minha curiosidade seja cada vez maior. Suponho que se dirige aos edifícios brancos que encerram escritórios, pequenas empresas, uns poucos serviços públicos, alguns bancos nos pisos térreos. O que me falta ao meu trajecto, preencho-o com estas adivinhas. O seu rosto não me é completamente estranho, não sei se vindo de outras manhãs em que o vi e julguei não ver, se de dias mais antigos. Pode ser uma das caras da minha juventude mudada pelos anos, ao ponto de não conseguir recuperar a original. Ou posso tê-lo encontrado já assim, dissociado da Rua Bernardo de Albuquerque, no aparelho de Raios X que manobro de manhã à noite, mesmo ali, por cima do Shopping. Ele olha para mim descaradamente quando passa, talvez saiba que sou a técnica do Raio X que o atendeu na sua doença. Ou não sabe nada e um dia sorriu só por que me apanhou a esquadrinhá-lo tão atenta.

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