16 maio 2005

Um crime metonímico

Afonso, li com muito agrado o teu post. Saí de rastos. Acontece que adoro levar porrada. Quando me preparava para um acto de contrição relativamente ao meu pecado metonímico reli o que tinha escrito sobre os revisionistas históricos. Acho que exageraste. Corrijo: alguns parisienses aplaudiram nos campos Elíseos a entrada das tropas nazis. Ou, como preferes: alguns parisienses desceram à rua, em número suficiente para receber em alas apoteóticas as tropas alemãs que entravam na Cidade-Luz. Mas é a única metonímia que encontro.
O post era político. Politiqueiro se quiseres. Eu não sou historiador. Sou um leitor vulgar. Dos que lêm as obras de divulgação, onde os historiadores sacrificam o rigor científico às necessidades pedagógicas. Eu sei que quando leio os Espartanos devo ler alguns espartanos, quase todos cidadãos. E que os que aclamaram Alexandre não foram os que morreram em combate. Ainda bem que lembraste. No resto parece-me que também cometeste o erro metonímico. Aliás estamos permanentemente à mercê do erro metonímico. Imagina que quando penso em Lúcia, penso, ao mesmo tempo, nesse ser único que deixou Nelas, e calcula, em todas as mulheres. E, possuído pela febre metonímica, já me ocorreu pensar mal das mulheres, sentir-me ferido pelas mulheres, quando foi apenas Lúcia quem desapareceu.
Vou ter mais cuidado. Prometo.

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