Vila-Matas amanhã em Lisboa

Enrique Vila-Matas estará amanhã em Lisboa para apresentar Paris no se acaba nunca. Não sei como é que o escritor de Barcelona consegue falar de um livro tão antigo, escrito há tanto tempo e quando a recusa de notoriedade não tinha passado pela explosão de Doctor Pasavento. Doctor Pasavento é um livro sem fim, inesgotável. Se nas tentativas de escrever o que escreveríamos se escrevêssemos, nos apercebemos de que escrevemos, e essa escrita nos aproxima mais e mais de um sítio que são todos os lugares do Mundo, onde nos aproximamos da verdade das coisas ou de uma reconfortante ilusão, então o romance não tem fim, nem tem fim a conversa entre o dr. Pasavento, Ingravalles e Pynchón. Paris, Nápoles, Zurich, uma Lisboa mínima, a Literatura, todos os lugares são o mesmo lugar, e esse lugar é uma Patagónia pessoal, onde nos procurarão sem êxito. Escreveremos sempre do único lugar possível. Um lugar de fronteira, mesmo se se trata da rue Vaneau. Porque na rue Vaneau há uma ameaça latente, que não resulta apenas da contiguidade entre Matignon, a residência do primeiro-ministro e a Embaixada síria. Pouco depois está a casa onde nasceu a pobre Jenny Marx (a quem aproveito também para dedicar estas linhas), e no 1bis o apartamento onde André Gide, enfim livre do peso da heterosexualidade, viveu os últimos anos da sua vida com a Petite Dame.
Devem desconfiar se Vila-Matas aparecer com um fato de riscas, estilo Chicago, e trouxer no bolso Fuga sem fim, o livro de Roth. Esse homem é um farsante. Há tempos que se faz passar pelo escritor de Barcelona. Pelo menos desde uma conferência em Sevilha, há mais de três anos, em que Bernardo Atxaga o podia ter desmascarado, se não pensasse que se tratava de uma encenação do próprio Vila-Matas ou com a cumplicidade deste.

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