30 dezembro 2005

O padre Tony e a sexualidade

No dia em que Pacheco Pereira enfiou o camauro o jornal oficial do Vaticano publicou um interessante artigo sobre a homossexualidade, um dos temas que obsidia a ICAR. Com a autoridade que lhe reconhecemos nesta área, L’Osservatore Romano, pela pena de um padre jesuíta que assina Tony Anatrella, veio dizer que “a homossexualidade não representa um valor social e de forma alguma pode ser uma virtude moral susceptível de contribuir para a elevação da sexualidade. Pode mesmo ser visto como uma realidade destabilizadora das pessoas e da sociedade.” “A homossexualidade é uma parte incompleta e imatura da sexualidade humana”. O artigo “dá exemplos de como os directores dos seminários podem perceber se um candidato a padre tem tendências homossexuais ou corre o risco de não ser capaz de respeitar o princípio do celibato dos sacerdotes.” (Público de 29 de Dezembro, não disponível on line).
Claro que vão dizer que isto é só para os associados da ICAR e que não tenho nada que me imiscuir nestes assuntos. Sucede que o padre Tony escreve livros e dá conferências que não se destinam apenas ao rebanho de fiéis da ICAR pelo que não compreendo como posso deixar de registar a minha perplexidade sobre o artigo em questão.
Que um celibatário possa considerar que a sua sexualidade é completa, madura, social e moralmente superior, é para mim tão difícil de compreender como a questão da unidade do espírito santo, da virgindade da mãe de Cristo, da infalibilidade do Papa, ou do destino do limbo. Mas devo ao padre Tony mais esta razão para simpatizar com os homossexuais. Sempre vivi a sexualidade como incompleta e secretamente agradeci os momentos em que me completo, mesmo incompletamente.

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