17 janeiro 2006

A alma de Portrugal

Hoje na Um discutem a alma de Portugal. Parece-me estranho ouvir aquela gente dizer o teu nome, Alma, sem temor nem reverência. Saio, envergonhado. Mas continuo a pensar na alma portuguesa. Portugal só é compreensível nas cartas dos estrangeiros que nos visitam. As carta de Estefânia, a rapariga que, na primeira metade do século XIX, veio, pela mão de Alberto, o marido da rainha Vitória, de uma corte do centro da Europa para um país sem árvores, de estradas cobertas de pó, onde um clero estúpido mantinha longe das letras e do catecismo uma população miserável. Estefânia era linda, educada, e devia estar aterrorizada com as gentes que lhe tinham calhado em sorte. Na noite de núpcias foram felizes, com sexo não penetrativo. Ela contou à mãe que o rei era muito delicado. O resto da história é conhecido. Pouco tempo depois morreria de difteria e o rei não resistiria a uma febre intestinal. Difteria e diarreia. O tipo de doenças que se espera encontrar num país assim. Um país que mata por asfixia e desidratação. Sempre o fogo sobrou e era a água e o ar que nos faltavam.

(Pedro V, Cìrculo de Leitores, Maria F. Mónica)

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