22 janeiro 2006

Depois de votar

Como um revelador, as horas a seguir ao escrutínio mostraram que o candidato de Sócrates era Cavaco e que o PS não tinha candidato. A família de Soares e alguns amigos reuniram-se num sala de hotel para se despedirem com dignidade e manter até ao fim a ficção de que se tratava de um combate necessário. Soares foi a capa de uma estratégia de ocupação do poder por parte de Sócrates e de Cavaco. O que resta do PS depois disto, para lá do governo e do círculo intimo do poder? Mas o PS não interessa para os próximos três anos, como o primeiro-ministro se apressou por explicar. A democracia fechou, por agora. Segue-se o negócio e a destruição do Estado de forma a que o negócio prospere.
A esquerda foi derrotada mais uma vez. O BE não descola. Mas um partido que continua a atrair gente que se manifesta de cara coberta, ou que deles só se demarca com ambiguidade, não pode aspirar a mais. O PC parece estar contente com 8,6%. Nos eleitores de Soares não estão apenas Edite Estrela e Jorge Coelho mais os ministros escalados. Há seguramente gente muito estimável, que acreditou no MASP 3, quis opor-se a Cavaco e não se reviu em nenhum candidato. E Alegre foi prodigioso. A votação de Alegre, contra o PS, contra o PC e contra o Bloco, sem meios, com uma impreparação que atingia o próprio candidato, mostra que existe uma multidão pronta para uma intervenção diferente na política. Essa votação é a única coisa nova que se vê neste país nos últimos anos.

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