09 janeiro 2006

A palavra-passe


Foto: Gica

Hoje de manhã, quando abri o computador, ele avisou-me que a minha palavra-passe estava a prazo e perguntou-me se a queria mudar já. Caso contrário teria dez dias para o fazer. Suponho que me vai perguntar isto de todas as vezes que o abrir, nos próximos dias. A palavra-passe que utilizo tem poucos meses. Não sei se posso renová-la. Escrevê-la de novo, confirmá-la, e aguardar que o sistema a aceite. O sistema deve ter sido desenhado pelos Serviços informáticos dos Correios. Fico a saber que, para eles, um compromisso não dura senão uns escassos meses. O mesmo tempo dos contratos a prazo, provavelmente. Poder renovar a minha palavra-passe deve significar algo para o sistema e para mim. Embora não saiba exactamente o quê. Imagino os funcionários que foram entretanto apeados. Não respondem ao apelo do gestor de programas. Não renovam a palavra e o sistema percebe que eles deixaram de existir. Eu vou responder, logo existo. Esta forma de existência devia alegrar-me. Mas imagino que o sistema alerta quando a palavra-passe é renovada mais de dez vezes.(Dez é um número que os gestores e os informáticos dos serviços centrais utilizam com frequência). Para evitar subidas de escalão por antiguidade, promoções por anos de serviço, essas coisas que alegram a minha tia Graça. Haverá algum processo de renovar a palavra-passe sem que o sistema se aperceba da nossa existência? Poderemos existir para lá da existência que o sistema detecta? Poderemos existir sem palavra? Fora da rede dos Correios.pt?

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