09 fevereiro 2006

Que deus me dê forças



À entrada da estação, de manhã, o homem pega-me no braço, fala-me de um passado em que teríamos sido amigos e depois diz-me:
- Só quero que deus me dê forças para trabalhar.
Eu só quero forças para o amor, penso. Forças para me rir do director do jornal, do patrão dele e do filho do patrão, do advogado do patrão e do ministro. Forças para estar ao lado dos que escrevem Como uma liberdade, forças para me defender se me atacarem, para escrever na areia e na pedra, para desfilar no carso, sem testemunhas além das aves da noite e os meus amigos, para ajudar as mulheres a despirem-se sempre que elas quiserem e precisarem , esta imagem é má, já sei, mas é que não me acostumo a outra roupa que não seja a que Eholim compassivo nos vestiu à saída do jardim.

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