06 março 2006

A mensageira

Quase não se via mas ela é que trazia as notícias. Quem era, onde vivia, o que fazia fora da repartição, ninguém soube. E quase ninguém deu conta quando começou a desaparecer. Os mais atentos atribuíram a mudança a um exagero na sua discrição. A sua única materialidade eram as cartas, os ofícios, as revistas, as encomendas. E o barulho dos saltos. Foi durante anos a mensageira silenciosa e nas suas mãos cruzaram-se tantas vidas, esperanças, desenganos. Nos corredores que ela percorria, afixaram hoje a notícia que começa com o seu nome, Cassilda.

0 Comentários:

Enviar um comentário

Subscrever Enviar comentários [Atom]

Hiperligações para esta mensagem:

Criar uma hiperligação

<< Página inicial