03 abril 2006

Quotas

Tenho lido algumas opiniões sobre as quotas das mulheres no Parlamento. Devo dizer que simpatizei com a medida quando Zapatero a tomou. Mas Zapatero constituíu governo com mulheres em metade dos ministérios. Quase todas inteligentes, elegantes e espanholas. Aqui, a medida serviu, que me lembre, para o PS levar ao Parlamento pessoas com a qualidade da dra. Matilde Sousa Franco. Avisado, Sócrates constituiu um gabinete viril, o que não o impediu de vir agora pedir legislação sobre quotas, impondo aquilo que, livremente, não quis executar.
A paridade foi apoiada pela esquerda e rejeitada pela direita. Neste debate não consegui perceber:
1º Se a paridade é boa porque é que só se aplica ao Parlamento? Porque é que não se estende ao Governo, aos cargos de nomeação do Estado? Aos Conselhos de Administração, ao Conselho do Estado, ao Governos Civis, ao Conselho Superior da Magistratura, etc, etc.
2º Se as quotas servem, apenas, para reformar os partidos, são uma medida destinada ao fracasso. Os partidos continuarão a ter um recrutamento medíocre, centrado no pessoal sem qualidade das Jotas, gente que quando devia estar a experimentar a solidariedade, a amizade, o debate, a transgressão, está a aprender a obliquidade, a traição, o aparelho, o arranjo, a carreira. Os partidos são irreformáveis. Serviram para o último quartel do século vinte e arrastam-se penosamente aos olhos de quem queira ver e não precise de se pôr a jeito.
Se essas antiguidades, no fim do quadriénio, vão lá desencantar as Matildes para as pôr no Parlamento, é matéria que nos devia deixar indiferentes ou, quando muito, servir para o movimento do Manuel Alegre fazer uma reunião, lá para o Verão, num Hotel de Lisboa.
Pois até parece que, escritores e afins, andam a fazer petições.

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