11 abril 2006

Semana Santa


Esta noite nos Prós e Contras (rtp 1) discutia-se o declínio da Europa. Depressa se percebeu que havia um candidato de peso. Um padre especialista em santidade e no reconhecimento dos milagres, autor de um livro que alguns seminaristas da assistência mostravam às câmaras e que está destinado a ser um sucesso na Xis e nas dioceses. O padre José Saraiva Martins é um alto funcionário da Cúria Romana, cardeal dos pastorinhos, e, trazia consigo uma claque de rapazes e raparigas que tinham de comum a castidade, a roupa em cores pastel que a Prada agora produz para os jovens devotos de Sua Santidade e um êxtase semi-orgástico (provavelmente aquilo que um celebrado poeta académico chamou de orgasmo pequenino) de cada vez que ele exaltava a superioridade do matrimónio. Ao lado do padre Martins estava César das Neves, o João, que tem a virtude de dizer em troglodita o que o padre murmura na língua de madeira dos ministros do Vaticano. Na outra margem, envoltos em chamas, estavam dois investigadores do Instituto de Ciências Sociais (Barreto e Bonifácio). A teoria da decadência da Europa resume-se mais ou menos assim: a Europa perdeu a identidade, os valores identitários. Vista de fora, pelo Islamismo, pelos pagãos, é um mundo risível, uma espécie de Sodoma gerida por políticos que não têm coragem de pôr o Cristianismo na Constituição e proíbem os símbolos religiosos ( - A mim, se me tirassem este crucifixo, era capaz de me tornar num terrorista- ameaçou um jovem da assistência, dono de um biótipo curioso, que misturava os elementos clean já descritos nos colegas com outros de forcado lusitano). Com o tempo de antena a exaurir-se, o padre da Cúria despejou a mensagem que trazia: - O casamento não pode ser posto ao mesmo nível das uniões de facto. E quando Barreto e Bonifácio estrebucharam, o padre, sempre a sorrir em lume brando, perguntou: - A senhora é a favor das uniões homólogas? –Acha que os homossexuais devem poder adoptar crianças? Bonifácio, do meio das chamas, balbuciou: - Não, sou contra. E, logo ali, o padre a absolveu, e todos, católicos, muçulmanos, hindus convertidos, rezaram a Jesus, Deus e filho de Deus, que no Corão, como disse o sheik, vem citado cerca de vinte e três vezes contra apenas três do Profeta Maomé e, às mãos dos judeus, está quase a morrer por todos nós, como o Zeffireli mostra aos que porventura ainda duvidem.

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