24 maio 2006

Guatemala

O último mail de Bonirre foi da reserva territorial dos índios bribri. Dizia do orgulho que eles sentiam pelo primeiro presidente índio em toda a América e que se ia encontrar com a candidata local a umas eleições, numa manifestação contra a exploração do petróleo. Foi há oito dias. Depois o silêncio. A partida de Bonirre assinalou o êxodo dos meus amigos mais chegados. Quando perguntei à Clara se estava bem, ela respondeu ao fim de algumas horas: “A jantar com o amigo escocês. Preparo a ida para Inverness.” O Jorge foi para o país das Coronárias. A Clarisse fechou-se a ler. O Vernon e o amigo músico rumaram a Amsterdão, à procura de um finale grandioso. Fenimore refugiou-se em Veneza. A Conceição assustou-se ao ultrapassar os cinquenta quilos e convenceu um cirurgião amigo a pôr-lhe uma banda gástrica. Durante o processo de convencimento, desapareceram ambos. O Matos exilou-se interiormente para escrever a tese da Dra. Filomena.
O que é mais espantoso nestas extinções é o facto dos desaparecidos serem contactáveis, de quando em quando responderem, não parecendo dar conta do tempo que passou. Ao ler-lhes os sms, os raros mails, tenho a sensação de ter sido eu a ausentar-me.

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