28 junho 2006

Crónica de futebol

O Javier Marias sabe escrever sobre futebol. O Valdano também. O Montalbán sabia . Há comentadores de futebol excelentes. Para se ser um bom comentador de futebol não basta gostar de futebol e saber de futebol. Mas é fundamental gostar e saber. Saber o que é temporizar, linhas de passe, diagonais, pressão defensiva, movimentação sem bola. Saber porque não pode haver atitude sem um cartão amarelo eminente. Perceber porque é que Deco e Cocu se envolveram com picardia dentro das quatro linhas e ficaram lado a lado nos degraus de acesso aos balneários, a vibrar com o final do jogo. Saber também o que é a Argentina, o Brasil, a Argélia, Tottenham Court Road e Chelsea, fora dos campos de futebol, onde os pais baptizam os filhos com o nome dos heróis do relvado. Saber porque é que o rapaz se chama Maniche. Ter visto futebol do terceiro anel, entre as claques, fora do camarote do empreiteiro.
EPC e Marcelo, a falar de futebol, são patéticos. Marcelo assina num jornal desportivo uma carta diária que é um insulto aos leitores. Escritas para o que ele imagina ser o simpático popular, o leitor típico do diário, um híbrido entre o broeiro da bancada, o aluno da faculdade de Direito de Lisboa e os apoiantes que ele encontra na Assembleia de freguesia. EPC escreve para os leitores do Público. O outro confundia o género humano com o Manel Germano. Um amigo sociólogo que explique a EPC a diferença entre o povo de Lisboa e os taxistas da Cidade Universitária.
Até lá leiam o El País. Mesmo depois da derrota da Espanha, vale a pena.

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