01 julho 2006

A Doutrina do Energúmeno




O debate entre o energúmeno e o filósofo, relatado por Voltaire, acabou ao bofetão.
Ambos pediram por socorro. Acudiram meia dúzia de filósofos (foi no século XVIII ) e centenas de dominicanos, familiares da Inquisição e guardas. Voltaire poupou-nos a descrição do resultado da colisão.
O debate com energúmenos é perigoso. Devemos evitar qualquer colisão com energúmenos. Há cada vez menos filósofos e mais guardas e familiares.
Rui Rio fez aprovar no Porto uma doutrina segundo a qual “quem solicita apoios financeiros ao município tem a estreita obrigação de manter uma conduta de respeito pela instituição, abstendo-se de a hostilizar, no âmbito das próprias iniciativas que são objecto dos apoios concedidos.”
A doutrina foi aprovada pelos partidos de direita. O PS absteve-se.

Rui Rio é um edil, eleito pelo povo do Porto para gerir, com os dinheiros dos contribuintes do Porto e do país, os assuntos da cidade. É um funcionário do município. Está subordinado às leis gerais do país. Às leis gerais do país e à jurisprudência decorrente das decisões dos Tribunais. Um juiz decidiu recentemente que Rui Rio não era um energúmeno. Claro que foi antes da aprovação desta cláusula. Mas não me parece que a decisão se modificasse. O autarca não estava particularmente irado, nem as suas decisões parecem arbitrárias, irracionais. Antes visam fazer respeitar a instituição, mostrar que a mão que dá o pão é para ser lambida e não mordida.
Esta postura de Rio é, quando muito cesarista. Chamar energúmenos aos impulsionadores das políticas cesaristas foi um erro do movimento operário na primeira metade do século passado, quando havia movimentos operários e estes cometiam erros. O jornal italiano Bataglia Comunista, que se publicou pelo menos até 1949, chamou a esta confusão a Doutrina do Energúmeno.

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