22 julho 2006

A guerra de Israel

A guerra é uma besta à solta. Faz as pessoas sentirem, dizerem, escreverem o que preferiam ignorar, calar.
Não chegará nunca o dia em que poderemos ser amáveis.
A maior parte dos europeus nascidos depois da segunda guerra mundial nunca teve guerra nos seus países. Quando o conflito dos Balcãs eclodiu, percebemos que éramos como os outros. Campos de prisioneiros, ódio racial, demonização do adversário. Independentemente das causas do conflito e dos alinhamentos que produziu, populações que alguns anos antes se consideravam jugoslavas, separaram-se de acordo com pertenças nacionais ou religiosas . Nunca perceberemos todas as dimensões dos conflitos. Sabemos pouca História e por vezes a História prejudica. Falham-nos absolutamente as razões geoestratégicas, militares, económicas a curto e médio prazo.
A nossa opinião não conta verdadeiramente. Mas são difíceis de perceber as motivações de quem decide, realmente.
Como decide a senhora Condoleezza Rice?



Luc Tuymans The Secretary of State 2005
oil on canvas, 18 x 24-1/4 inches

E Blair?
E no segundo plano, o que faz Zapatero pôr ao pescoço um lenço palestiniano ?
E no centésimo plano, o que leva o senhor Alves, do PCP, a achar que “Portugal está a ser vítima dos ataques de Israel pelo facto de ter transformado portugueses em refugiados”?

Longe do teatro da guerra, não tendo vivido nunca o drama de uma guerra verdadeira, muitos de nós forma opinião através das imagens que as cadeias de informação lhe trazem. E como é raro ser mostrado um hospital israelita, como os israelitas não permitem a captura de imagens quando rebenta um autocarro escolar, deflagra um suicida num centro comercial, um colonato é atingido por um morteiro, as imagens não favorecem a adesão emocional à causa de Israel. (Do mesmo modo os britânicos esconderam o que se passou no seu subsolo há um ano, e entre nós o aniversário desse massacre passou quase despercebido).

A causa de Israel é existir. Nas fronteiras actuais. Nas fronteiras da independência. Ou em outras que resultem de conversações sérias, com interlocutores que respeitem o direito de Israel à existência.
Por motivos que me escapam, “o insuspeito Vital Moreira”, quase todos os meus familiares e amigos, com destaque para a minha Mãe, acham que Israel é um país beligerante, expansionista, que sonha com as fronteiras bíblicas e não perde uma oportunidade em agredir as populações vizinhas.
Eu tenho dúvidas. Como Israel é uma democracia, conheço quem tenha esse programa político em Israel. Muitos desses nem combatem, porque as suas crenças religiosas recusam o serviço militar. Mas em Israel existem várias formações políticas com posições muito diferentes relativamente à guerra e à negociação. E, ao contrário da Síria e da Jordânia, ao contrário do Líbano, os israelitas de esquerda, os pacifistas, não costumam ser assassinados.
Um dia destes, percebi que um amigo julgava que Israel tinha sido erigido no território de um Estado palestiniano preexistente. Outro pensava que na Guerra dos seis dias Israel vencera por ter havido uma intervenção americana.
Vão dizer que os meus amigos são ignorantes. É mentira. Às vezes penso que sabem imenso. Por exemplo: sabem sempre como se devia conduzir a luta anti terrorista, como derrotar a Hezbolah e os outros Partidos de deus, como impedir o Irão de ser uma potência nuclear utilizando essa energia para fins militares. Mas se sabem porque é que não dizem?
Não há lugar seguro neste mundo. Nem uma estação de comboios em Madrid. Se for para morrer hei-de estar ao pé dos meus amigos. Mas não hei-de ter a cara de um idiota útil.

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