01 julho 2006

Já não há



Já não há selecções de fora-da-Europa, excepto o Brasil, ouve-se dizer. Já não há selecções de amarelo, excepto o Brasil. O Brasil não é excepção porque, no sistema-mundo do futebol, o Brasil tem uma posição peculiar. Por um lado é um país fornecedor de matérias primas, com um campeonato local sofrível, por outro tem gente com influência na FIFA.
As grandes questões escatológicas são: porque perde o Gana? Porque perde a Argentina?
Ontem a Argentina perdeu por temor. Tinha o génio amarrado, a cabeça com preocupações defensivas. Maxi e Tevez não se soltavam. Daniel, o pequeno génio, estava no banco e na hora das substituições foi preterido pelo avançado baço do Inter. Lucho Gonzalez, que dizem ser um extraordinário jogador invisível, foi bastante invisível mas menos extraordinário. A arbitragem protegeu a Alemanha, como protegera o Brasil do Gana, no dia anterior, e a Itália, sempre. Mas a Argentina perdeu porque não ousou, como diria o presidente Mao. Derrotar a Alemanha nos quartos-de-final era derrotar a FIFA, a organização do Campeonato do Mundo, os interesses do turismo, das televisões e da imprensa desportiva. Era preciso ser capaz do escândalo. A Argentina continuará a mandar os seus jogadores para os países afluentes do sistema-mundo do futebol e a fazer uns brilharetes nas eliminatórias. No fim do jogo, José Pekerman disse que o seu ciclo tinha acabado. Infelizmente ainda não.

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