18 julho 2006

Luc Tuysman em Serralves:Nada ou um excesso de História




Quase não se vê. Na verdade esteve quase a desaparecer. Desapareceu dos confins orientais do Império Austro Húngaro, da “Palissada”, onde marcava o quotidiano nos finais do século XIX e no espaço entre as duas guerras.






É uma natureza morta. Enorme. Um jarro de leite e uns frutos em cima de uma toalha branca. Exposta no ground zero das Torres Gémeas assume um significado. Mostrada assim é uma natureza morta. Quase nada.





É o retrato de um intelectual negro, fotográfico, como o poderíamos ver numa revista de actualidades da época, nos anos sessenta.
Chamava-se Lumumba, Patrick. Foi a esperança de um país diferente para o Congo Belga, depois da independência, antes de Mobutu. Assassinado. Nessa altura um francês escreveu um livro a que chamou
L’ Afrique noir est mal partie.
Pequeno, numa parede branca, é um homem com óculos, alguma amargura no olhar e no trejeito da boca , uma coisa insignificante.





Quatro pequenos quadros. Alguma inquietação. Que vem da sombra no pátio, da ausência de gente, do aspecto familiar dos grandes edifícios.
O homem é Reinhard Heydrich, a quem Hitler chamava o coração de aço. O organizador e presidente da conferência de Wannsee, que a 20 de Janeiro de 1942 reuniu 15 responsáveis máximos do III Reich e decidiu os aspectos administrativos, técnicos e económicos da “solução final para a questão judia”, a exterminação dos onze milhões de judeus que os nazis tinham recenseado na Europa.
No quadro é um homem como os outros, magro, banal.






São dois homens que caminham na bruma. Com alguma decisão. Parece que sabem para onde vão. Mas só vemos montes e pedras. À direita há uma sombra oblíqua. Ou será um grande edifício? E uma pá de grande cabo. Talvez as pedras sejam lápides. A luz do luar bate de frente nos homens que caminham. Um deles tem uniforme e vai ligeiramente à frente. Não lhes vemos as caras.

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