01 agosto 2006

Amalia Bautista



O pequeno livro que reúne as poesias de Amalia Bautista foi publicado pela Renacimiento, uma editora de Sevilha, e é o número 16 da colecção Antologias.
Acabou de se imprimir a 10 de Abril de 2006.
A capa é feérica, em riscas horizontais de vermelhos e amarelhos (Crimson, Fire Brick, Orange, Orange red, Amarelo e Gold ).
O título

Tres Deseos


alude ao poema

Pide tres deseos

Ver el alba contigo,
ver contigo la noche,
y ver de novo el alba
en la luz de tus ojos
. (pg 151)



Eu teria prescindido da foto de Amalia (de José del Rio Mons), mas não tenho disponível nenhuma melhor, o que provavelmente indicia que Amalia não gosta de se ver fotografada ou não teve ainda o seu fotógrafo.
Ou teria fotografado os joelhos, os tornozelos, as meias pretas
... mas as minhas pernas são definitivas,
e fazem-te num instante imaginar
uma história de amor nocturna e louca
. (Berkshire, p 23)

, ou Amália nua como uma estátua abandonada num parque
...onde sofre os rigores do frio no Inverno

Ou uma reprodução do mar



Cuando esté en alta mar y todo sea
agua en mi alrededor, agua salada,
arrojaré mi vida por la borda. (…)


Tal como a foto o prólogo de Jorge Valdés del Días-Vélez, um académico palavroso, era dispensável.
Mas depois são 175 páginas de poesia, uma dávida tão grande que não esperávamos, e seguramente não merecíamos, neste e em nenhum Verão.

O livro é composto por quatro livros : Cárcere do Amor (1988), Conta-me outra vez (1999), Estou ausente (2004), Pecados (2005) e um conjunto de inéditos.
Dos dois primeiros conhecíamos alguns poemas seleccionados por J.M. Magalhães nos Trípticos.
Poemas curtos, luminosos, muitas vezes com um final surpreendente, de um personagem feminino, apaixonado, perverso, fatal, mas afinal frágil, melancólico, abandonado, com medo que a negra bílis se infiltre para sempre nos dias ou venha o rancor, aproveitando a escuridão.
Este Verão hei-de decorar os poemas de Amália, o poeta que quase mudou o nome deste blog, e dizê-los alto nas ruas desertas desta cidade, partilhando com ela a dor e a loucura, o humor, o anjo da guarda, a carcereira e a linha quente das chamadas de valor acrescentado, o Inferno e os pecados capitais.

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