10 agosto 2006

A dor e o consolo



Como a dor depende mais do ser que a experiencia do que da noxia em si, dói muito se somos imaturos ( e nunca estaremos preparados para algumas dores, ou assim julgamos, neste nosso reduto de paz e prosperidade). Depende dos nociceptores periféricos, das vias de transmissão, dos neuromediadores , das projecções centrais, da rede de ligações sinápticas e do envolvimento de áreas ligadas à emoção, que dão cor à dor de cada um. Depende depois da adaptação e da habituação. O controle inibitório da dor processa-se a vários níveis desde a área de nocicepção ao córtex, passando pelos cornos medulares e afectando vias e transmissores.
A dor é subjectiva. Só podemos sentir a nossa. A dor dos outros é sempre uma interpretação, de acordo com as nossas experiências prévias. Como cada um de nós é único, nos materiais utilizados e nos arranjos, nunca saberemos de facto o que os outros sentem, mesmo aqueles que estão perto de nós, mesmo aqueles que amamos.
A nossa capacidade de sofrimento é ilimitada, como prova a dor crónica.
A nossa necessidade de consolo também. Como não sabemos o que dói nos outros, e até onde, nunca seremos capazes de consolar ou avaliar o consolo .

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