Uma simples onda, e pronto.
O senhor Palomar está de pé na areia e observa uma onda. Não que esteja absorto na contemplação das ondas. Não está absorto, porque sabe bem o que faz: quer observar uma onda e observa-a. Não está contemplando, porque para a contemplação é preciso um temperamento adequado, um estado de alma adequado e um concurso de circunstâncias externas adequadas: e embora em princípio o senhor Palomar nada tenha contra a contemplação, nenhuma daquelas três condições, todavia, se verifica para ele. Em suma, não são "as ondas" que ele pretende observar, mas uma simples onda e pronto.
(O senhor Palomar, Italo Calvino)
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