17 setembro 2006

Manuel II Paleólogo em Paris



O Papa Bento XVI pediu hoje desculpa aos crentes muçulmanos pela citação de Manuel II Paleólogo, na sua alocução da passada semana numa Universidade alemã. O Papa falava em Castelgandolfo, debaixo de fortes medidas de segurança depois de um grupo terrorista iraquiano ter ameaçado atacar em Roma e na sequência de protestos, entre outros, do presidente da Indonésia e do Irão. Hoje mesmo, foram incendiadas igrejas na Cisjordânia e uma mulher italiana, Rosa Scorbati, a Irmã Lionella, foi assassinada em Mogadíscio. A Irmã Lionella trabalhara 36 anos em África e geria actualmente, em Mogadíscio, um orfanato.
É impossível encontrar, na imprensa ocidental, um relato da intervenção de Bento XVI na Universidade de Ratisbona que vá além da citação de Manuel II Paleólogo e da frase em que o Papa declara que “não actuar segundo a razão é contrário à natureza de Deus”.
O pedido de desculpas do chefe da Igreja católica parece ter agradado à Irmandade Muçulmana, uma das que ateara o rastilho da rua muçulmana, aos teólogos espanhóis e holandeses e aos comentadores ocidentais, que na esteira das opiniões que emitiram durante o episódio dos cartoons, subordinam a liberdade intelectual nas democracias europeias ao imprimatur dos chefes políticos e religiosos do Islão.
Manuel II o Paleólogo foi um imperador de Bizâncio, o que restava, no séculos XIV e XV, do glorioso Império dos romanos. Tinha sido capturado em jovem pelo sultão e servido nos seus exércitos. No fim do século XIV visitara as principais capitais europeias e impressionara os eruditos da Sorbonne pelos seus conhecimentos filosóficos e teológicos. "Porém", escreve Steven Runciman em A Queda de Constantinopla, "os anfitriões acabaram por se apiedar dele, pois havia vindo como pedinte, numa busca desesperada de ajuda contra os infiéis que cercavam o seu império. "
O resto da história sabe-se. Em 1453 o sultão Maomé II entrou em Constantinopla e no meio do costumado banho de sangue dirigiu-se a cavalo para Santa Sofia onde um dos seus ulema subiu ao púlpito e proclamou que era Alá o único deus.

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