25 setembro 2006

Volver (3)


Luc Tuymans, espelho retrovisor



Está à varanda e vejo-o quando regresso a casa. Alegro-me e depois a alegria tolda-se com uma leve irritação:
-Onde esteve o tempo todo em que me faltou?

Vai na rua ao meu lado. Eu sei que é muito frágil, qualquer sopro o pode derrubar. Mas ninguém me rouba, hoje, a sua companhia.

Encontro-o na Estação de Caminho de Ferro. Tem um fato desadequado para a estação. Não fala. Mas sei como é clara a sua voz.

Está na cadeira da sala a ler o jornal. O jornal é sempre o Diario de Lisbôa.

Só na cara dele rumoreja a água da manhã. Só na boca dele o meu nome sai inteiro.

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