26 novembro 2006

Todos riam

No dia 7 de Outubro, na sua casa de Moscovo, Anna Politkovskaya, jornalista, foi assassinada. Este mês morreu envenenado em Londres o cidadão britânico Alexander Litvinenko, um espião que vivera no fio da navalha. Anna investigava os crimes do exército de Putin na Tchetchenia. Litvinenko investigava as circunstâncias da morte de Anna. O veneno utilizado foi o polónio 201, uma substancia radioactiva incrivelmente tóxica, cuja obtenção exige o recurso a reactores nucleares.
Anna e Alexander. Não sabemos quase nada das suas vidas e talvez nunca nos seja dado saber porque morreram. Fazem parte de uma longa lista de assassinatos do nosso tempo. Anna escrevera sobre os crimes dos russos na Tchetchenia. Uma vez reproduziu depoimentos de testemunhas oculares de massacres e cometeu o erro de os identificar. Foram todos abatidos. Por métodos mais baratos e igualmente eficazes, que matar na Tcheténia é coisa fácil e sem consequências.
Anna não soube que morria. Sem cabelo nem glóbulos brancos, Alexander escreveu que "sentia o palpitar das asas do anjo da morte e que temia que as suas pernas não corressem já como desejaria". A essa hora Putin estava entre Durão Barroso e os gémeos obesos e dementes que governam a Polónia. Vi a fotografia. Não se percebe de quê, mas todos riam.

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