10 dezembro 2006

No posto da gasolina

Havia, de um lado, cinco automóveis à espera para encherem os depósitos de gasolina e, na outra bomba, um só que parecia intocável no seu isolamento. Obviamente coloquei-me por detrás deste. Foi quando me apercebi que era uma carrinha funerária, com o palanque onde se coloca a urna por agora vazio, à espera da próxima caixa. Todos preferiam esperar mais tempo do que colocar-se atrás de uma transportadora de cadáveres. O condutor, vendo-se tão sózinho, demorou muito tempo a pagar, a pedir facturas e tudo o mais que se pode fazer num posto de gasolina. Era o único, naquele começo de dia de trabalho, que não tinha pressa. E o cliente que o poderia esperar também não tinha pressa, com a eternidade toda à sua frente. Tudo isto que é simples, imediato e facilmente traduzível em palavras é, no entanto, uma enorme barreira para quem está submerso em prescrições de polícias da mente. Por que será que os psiquiatras do século XXI continuam a agir como se o mal-estar estivesse sempre do lado da explosão, do levitar acima da humana condição de répteis que interromperam a sua evolução na escala de aspirantes a não importa o quê ?

(enviado por rosaarosa)

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