30 dezembro 2006

Um dia grande para a democracia



As forças do bem executaram Saddam Hussein, um malfeitor. O Presidente Bush comentou que era um passo importante para a democratização do Iraque. Foi mais ou menos o que disse o soviete de Petrograd, depois do assassinato do czar e da família real.
Ouvi também as reacções de algumas personalidades. Adriano Moreira justificou a condenação enumerando os crimes de Saddam. Tudo o que disse se aplicava ao presidente dos Estados Unidos. Depois demarcou-se da sentença de morte em nome da tradição cultural europeia. Adriano Moreira é das poucas pessoas da ribalta mediática com posições equilibradas sobre política internacional. A seguir falaram José Lamego, um constitucionalista iraquiano, e Teresa de Sousa, uma neo-conversa, sempre muito bem informada e mal disposta, para quem todo o mal do mundo parece vir dos que perturbam a pax americana, o normal funcionamento do mercado, da bolsa, do Banco Mundial e das Forças Armadas Americanas incluindo a Guarda Costeira. Parece que o problema agora, no Iraque, é a guerra civil, a luta assassina entre sunitas e chiitas. Não temos nada com isso. Já lá deixámos empresas petrolíferas sérias, construção civil, ajuda económica, uma constituição. Podemos aproveitar e vir embora. Pode ser que não se note.


(Boris Mikhailov)

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