17 janeiro 2007

Toda a alcatifa tem ácaros (excerto)

(...) Pensem nas crianças mudas, telepáticas. Pensem nas feridas como rosas cálidas. Mas oh não se esqueçam da rosa, da rosa. A anti-rosa atómica. Ela era o seu núcleo traumático que ele tentava negar e que de vez em quando irrompia incontrolável, rasgando a alcatifa e tudo o que nela estava precariamente pousado. À volta ficava um mundo estilhaçado em que ele dramático e finalmente exposto não se reconhecia. Mas, pouco a pouco, das ruínas, subia o anjo do mal que retomava as rédeas da história momentaneamente desorbitada. Era a tentação totalitária que irrompia de novo e dela ressurgia o repugnante Homem Novo, maldição e inferno dos tempos.

(Rosaarosa)

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