14 fevereiro 2007

Um revisionista feliz




Na infância as mulheres
apertaram-me contra o peito
A minha mãe escrevia poemas
como hoje. O país era amável
se esquecermos um breve período
de ditadura
que aliás serviu para vivermos dias
cheios de heroicidade.

Deus era indulgente
e tratava todos por igual
aquém e além mar

O resto não tem importância

A mulher que amei
abandonou-me
sem lágrimas.Trocámos livros,
dêvêdês e filhos.

O Matos e a dra. Filomena
ainda hoje
asseguram a perenidade
dos Correios sempre iguais
e sempre renovados.

A minha vida é
uma banda desenhada
de Loustal. Tão doce
que nunca sei se sonho.

O resto não tem importância

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