25 maio 2007

M

Uma menina desapareceu. Conhecemos-lhe a cara, os pais, os sítios que habitou. Preocupamo-nos. Emocionamo-nos. Estamos condenados a isto. Sofrer com o que podemos nomear. Não devia ser assim?
Há tempos uma mulher foi torturada por adolescentes. Revoltámo-nos. Nesses dias dezenas de excluídos estavam a ser pontapeados nas ruas por hordas de selvagens, eles também vítimas de exclusão. Mas nós conhecemos a tragédia de Gis, o lugar onde foi sepultada viva. Essa proximidade agudizou a nossa empatia.
Alguém disse que um morto é uma tragédia, mil mortes uma estatística. A sorte da menina desaparecida deu um nome à miséria de todos os meninos desaparecidos.

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