30 maio 2007

O Pão nosso


Uma linha de investigação com algum sucesso sustenta que a porcaria de comida que andamos a comer, o glúten dos cereais, a caseína do leite e uma infindável lista de produtos que vão desde o sumo de laranja à carne de porco, produz, no seu metabolismo, moléculas que actuam como endorfinas. Estes opióides endógenos alteram a nossa percepção, a função executiva, a capacidade de nos relacionarmos uns com os outros. Ainda não procurei IGAs na urina. Mas há muito tempo que depois do pequeno almoço, logo a seguir ao pão com manteiga, aos cereais, ao sumo de laranjas, Naranjas integrais, vindas directamente do Marrocos, de Miami, da Auchamp, me começo a sentir ganzado. Olho para a televisão e parece-me propaganda da DREN. Olho pela janela e todos os pássaros me parecem pombas, espírito-santos arrulhadores e vingativos. Olho para os meus filhos a encherem as mochilas de pão com marmelada e livros escolares, tão perigosos uns como os outros. E despeço-me como se fosse para uma columbine doméstica, como se nunca mais o teu rosto compassivo, uma frase musical, o estampido de um verso rompessem a espessa neblina dos receptores preenchidos pelos IGAs.

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