15 junho 2007

O meu pai foi um jovem magnífico até à noite em que me chamaram e não tive mãos para o reanimar. Não me lembro da minha infância. A única coisa de que me lembro é de uma casa enorme, uma tina no meio de uma sala e de um homem a tomar banho rodeado de mulheres espalhafatosas. Mas não estou certo de que seja uma imagem da minha infância, embora ainda ouça os risos, uma exclamação, a água a agitar-se, uma mulher que fala como se declamasse. As pessoas de quem gosto nunca envelheceram e não vão envelhecer. A pele das suas mãos será tão lisa como agora, e o brilho das testas, a força dos cabelos, a frescura das vozes.

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