12 junho 2007

Still Life



Discutimos a autonomia do sujeito
que escreve
embora fosse da sujeita
escrevente
que devêssemos falar.
- Estive até às quatro da manhã
a pensar no que disseste – disse a outra
que pensei mais aberta
ao intertexto.
Entretanto sobre o amor escreve-se
pouco
e quase sempre
não se fala do que é importante.
Nunca no primeiro encontro- deviam ensinar aos rapazinhos.
Nem no segundo. Nem sobretudo
no terceiro.
Olhem para o homem de Still Life.
Ele paga para resgatar a mulher
que o abandonou.
Passou muito tempo desde esse dia.
Era jovem. Não a procurou
como devia.
Agora serviu sete anos e sete anos
vai servir o patrão comunista
capitalista o pior dos patrões
até poder comprar a mulher que nem por prémio
pretende.
É assim que os rapazes
deviam abordar as mulheres.
Assim com
uma febre difícil de ceder sem
dinheiro americano
tendo como única riqueza os
braços e uma canção no
telemóvel.
Não há palavras para o amor
nesta língua em que
escrevo.
Nem é preciso.
É preciso levar a mulher para uma terra
mais ao norte.
Agora
ou de aqui a sete anos.

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