23 setembro 2007

Julie Delpy




Imagine miss Allen (em branco desbotado) a viver nos Estados Unidos, com um namorado americano um pouco hipocondríaco e de traços magrebinos. Regressados de Itália, passam dois dias em Paris, a cidade de miss Allen antes de ser miss Allen. Ele conhece a casa de miss Allen no 18 ème, os pais de miss Allen, dois destroços soixante-huitards embalsamados em alcool e charros, os amigos dela que só pensam em fodê-la. Pior do que isso, em voltar a fodê-la. E Paris, uma cidade que no início parece um bilhete postal de Paris e depois é uma cidade estranha, à qual nunca acedemos verdadeiramente, governada por taxifascistas, atravessada pelos novos peregrinos, onde começaram os incêndios vegetarianos. Estou a falar do filme de Julie Delpy, Dois dias em Paris. Os críticos das estrelas, os que não gostam de cinema, os críticos das salas vazias da Lusomundo, acharam o filme um pastiche desinteressante de Woody Allen. Como se o filme não fosse de Miss Allen. Um filme feminino, onde a cidade, as casas, as camas, a música, a arte, as ruas e os homens, são de uma mulher que nunca será nossa, que mente um poucochinho, improvisa, quer ficar por cima.

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