01 novembro 2007

História e Consciência de Classe


Gillian Wearing


Num dia de latada uma rapariga de traje, como se diz, académico, sobe uma rua, de braço dado com outra, vestida de corres garridas. Param com frequência. Agora é à porta de uma moradia em restauro onde uma numerosa audiência de trolhas se acotovela para as ouvir:
A doutora: - Eu sou a doutora.
A caloira: -Eu sou a caloira.
A doutora: - Logo à noite a caloira vai ter de pagar um jantar à doutora.
Ambas: - Um euro para o jantar da caloira e da doutora.
E o que é que as raparigas dão em troca? Chupa-chupas. Redondos, saindo do lambuzado decote caloiral. Os trolhas observam o sortido e o pedreiro mais velho, em silêncio vagaroso, procede à avaliação do material e ao pagamento.
Passou então um homem resmungando.
Homem resmungando: - É uma vergonha.
E como alguém pudesse pensar que se tratava do trânsito, o homem englobou com um gesto largo os trolhas, a doutora e a caloira, o decote de onde jorravam chupa-chupas, o pedreiro remexendo sabe-se lá que trocos no bolso das calças e perguntou aos curiosos que enchiam os passeios e aos condutores desesperados:
Homem resmungando: - Onde é que está a Klassenbewußtsein, sim, onde é que está?

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