02 dezembro 2007

Gore Vidal apunhalado




A editora Casa das Letras traduziu a recente autobiografia de Gore Vidal que cobre o período de 1964 a 2006. André Moura Cunha, no excelente In Absentia, faz uma recensão deste livro, que afortunadamente deve ter lido na edição inglesa. A tradução portuguesa é ilegível. Uma manifestação de incompetência, falta de profissionalismo e desrespeito pelos leitores. A leitura é impossível. A começar pelo título, Navegação Ponto por Ponto em vez de Navegação de Cabotagem. Em cada frase existe um motivo de irritação, uma perplexidade:

O ecrã está agora cheio de Jay Leno e outros a contar piadas apinhado até o fogo dos morteiros acabar com ele e desaparecemos aos poucos (p66).
Deu-se o caso de Na Evening with Richard Nixon foi a a minha última peça na Broadway (p69)
O manhoso Dick Nixon levou a melhor de jack numa ocasião. (p73)
Randy Shilts apresentou-se como sendo o primeiro repórter declaradamente homossexual de um jornal influente e que, em breve, o seu livro And The Band Played On o tornaria famoso (p 79)
Resolvi tomar a defesa (…). Várias ruidosas confrontações entre Randy e eu não produziram efeito (p79).
Suspeito de que, provavelmente, citei Montaigne e isso apareceu no livro, como tantas coisas mais, como algo que eu tinha dito. (p 82)
Edward, um enfermeiro russo (…), vinha de madrugada ligar Howard em antibióticos.
Howard tinha sido cantor profissional até realizar, tristemente, que era um retardatário menor a essa época dourada de cantores liderados por Frank Sinatara e Tony Bennet. (p 92).
Antes de nos conhecermos ele trabalhava em publicidade, trabalhando oito anos num centro comercial. (idem).
Desejava beneficiar da sua voz sozinho (p 93)
…dormia pesadamente de mais.(idem)
Por que não? (9
4)


Nesta altura do tormento já teria normalmente escrito uma carta ao senhor José Luís Luna, que assina a tradução, perguntado à senhora D. Maria de Lurdes Cruz que coisas interessantes fez em lugar da revisão do senhor Luna e exigido a devolução dos 17 euros à Casa das Letras. Mas fui até à página 136, momento em que reparei que o único prazer que retirava do texto era a anotação das barbaridades a que este fora submetido. Como não costumo queixar-me à Deco desabafo consigo, leitor hipócrita.

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