24 janeiro 2008

Aqui não



A dona Maria, que é um amor, mesmo um doce, bué da fixe, está postada no corredor do Bloco D, e é logo
- Aqui, não.
A Zé Dread, uma que anda sempre em pijama, com crista verde, e trava à entrada da sala como se viesse a patinar, , atira a cabeça para trás e levanta os braços
- B' dia setôra, b' dia todos.
mesmo a Zé Dread, esse must, se nos sentamos no corredor, assim, lado a lado, só de mão dada, estás a ver, não é na posição de sapinho, nem de colo frontal, assim, com juizinho, vem logo
-Aqui não.
Todas, todas, todinhas, é bué de irritante, vêm-se mitrar de todo o lado, saem das pedras para cima de nós a dizer
-Aqui não.
Mas se aqui não, onde então? Querem que saltemos a cerca? Que vamos para o ginásio como os degenerados dar filme ao tarado do Joaquim? Que idade tinhas quando beijaste? Na boca. Para não perguntar aquilo que não vou perguntar. Outro dia estávamos numas escadas e chega uma vizinha, é sempre a mesma, nunca acerta com a chave na fechadura, fica horas a experimentar, parece que bebeu, caladita que nem uma rata, mas nesse dia até nos assustou, nunca tínhamos ouvido a voz dela e de repente a mulher parecia que estava a rezar, queres ver que está a dizer Aqui não, Aqui não, aqui aqui Aqui Não? Virámo-nos, e ela, havias de ver o susto, de olhos fechados no cimo da escada
- Meninos, esperem que chegue a noite.

//com Frances M.

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