02 março 2008

No aniversário do Público

Se o Público fosse um jornal decente tinha uma crónica com o Super Psico Sá. O homem tem uma voz que para mim não funciona. Mas na tarde em que o conheci ele, perorava ele para um auditório onde pontificavam algumas mulheres com ar de commitment do santo Graal e eu deixei-me embalar. Era como se tivesse perdido quase todas as reservas da razão masculina e estivesse ali, no doce enleio de uma canção que engana. Não gostei dessa minha fraqueza. Mais tarde encontrei-o num auditório de tias reaças, variante santanista, e o homem foi reaça. Era a época em que as tias santanistas levantavam bem alto o pau da bandeira e ele fê-las sentirem-se bem, deu um alento às suas convicções. Lembro-me de um jeito especial de embrulhar um produto reaça em papel da ideologia levezinha. Aí percebi. O Super Psico Sá tem um sentido agudo das audiências e fala para as audiências. É um Zeilig que quer agradar. Especializou –se em falar para as mulheres. Tal como as mães desenvolveram os agudos cantantes com que falam para os infantes assim ele aperfeiçoou aquele tom enjoativo entre o divã e a sessão hipnótica. Usa-o para tudo. Alguém disse que era assim que os motários lêem a literatura dos rótulos de vinho, num jantar mais requintado. Como está sempre a falar, às vezes concordo com o que diz. Consolo-me pensando que é uma questão de probabilidade.

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