27 abril 2008

Um bar em Pequim





Em Boarding Gate, de Olivier Assayas, a personagem interpretada por Asia Argento, uma mulher que leva em Paris a vida perigosa das trabalhadoras sexuais precárias, tem um objectivo: abrir um bar em Pequim. Abrir um bar em Pequim, como há vinte anos os cabo verdianos da Ilha do Fogo diziam, ir viver para Sacavém . Quando os Jogos Olímpicos começarem, o Tibete, os direitos humanos, as regras do comércio internacional, as preocupações energéticas, serão esquecidos. A mundialização que começou em 1492 e culminou no domínio internacional dos Estados Unidos está a chegar ao fim, no atoleiro do Iraque, na vaga de eleições que na América do sul substitui o pessoal político afecto ao domínio norte americano, na hesitante nomeação democrática. Uma nova mundialização, como Vattimo previu, está em marcha e tem o centro em Pequim. Há anos que o circo de arquitectos da Fórmula um está em Pequim, desde Herzog e Meuron no Estádio Olímpico, a Rem Koolhaas no Edifício da Televisão Estatal chinesa, à PTW na Piscina Olímpica. Estão a fazer o que sabem. Dar ao poder o prestígio de que ele necessita. O poder escreve-se em chinês. De hoje em diante guardem as bandeiras do Tibete e preparem-se para abrir a boca, colaborar no espanto geral que varre o globo. Vêm aí os novos senhores do mundo.

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